O seu, o meu, o nosso milagre quinzenal
Hoje eu cheguei atrasado no culto, culpa do meu namorado agnóstico que demorou de levantar (nada muda o fato dele ser agnóstico, mas gosto de polêmicas).
Quando cheguei tive tempo de confessar minha fé e ouvir a prédica. E que prédica. Provavelmente na sua paróquia também se falou da parábola do semeador, e eu nunca nunca tinha ouvido falar daquela parábola daquela forma, ver Deus como um agricultor teimoso que insiste em lançar a semente da Palavra, pois em diversas vezes nosso solo (coração), está sufocado pelos espinhos da vida, por vezes está rochoso pela falta de interesse na fé, está a beira do caminho, onde é facilmente esquecida e levada pelo mal.
Aquilo ainda não tinha me tocado o suficiente, pois eu ainda estava por entender a grandeza de perceber quando a semente da Palavra cai no solo fértil do meu coração.
Sabe Deus o porque de a nossa Santa Ceia ser apenas dois domingos por mês, se fosse todo domingo seria maravilhoso para mim. Até então eu tinha maravilhosas experiências com a Santa Ceia, receber perdão dos pecados e justificação do próprio Cristo é indescritível e emocionante, mas nunca tinha percebido que essas coisas vinham com o consolo do Espírito, afinal, é Ele quem age na Ceia em favor de nós, entregando o Cristo por amor.Depois da prédica houveram algumas coisas no culto, coisas que a princípio me aqueceram o coração, mas com o passar do tempo eu fui ficando triste. Pelo meu pecado, pelas dores desse mundo, por essas dores me afligirem até o amago do meu ser. Coisas particulares e profundas de mim que não eram revistas à anos. Eu quase chorei.
Confesso que meu coração chorou, como uma criança abandonada, mas não deixei uma lágrima sair de mim, mas que diferença fez? Nenhuma.
Fiquei assim até a Santa Ceia.
"Envia teu Espírito, Senhor! E renova a face da terra!"
Mistério da fé esse renovar a face da terra, mas eu lhes garanto que experimentei desse mistério. Quando meu pastor chamou a todos para o altar, pois tudo já estava preparado, eu levantei muito rápido e corri para chegar junto aos pés da cruz. Meu namorado até achou estranho, mas me acompanhou.
- "Este é o corpo de Cristo, dado e derramado em favor de nós."
- "Este é o cálice da nova aliança no sangue de Cristo, para a remissão de todos os pecados."
Nem sei dizer o tamanho da paz que tocou meu coração, aquelas palavras, Palavras de Salvação, tinham sido lançadas em um coração quebrantado, carente de Deus, um solo vazio, sem rochas, sem espinhos, bem no centro da terra para o cultivo, e ali brotou. Brotou perdão dos pecados, regado pela misericórdia e gerou uma linda flor de consolo, não preciso dizer que no tempo certo certo essa flor dará lugar a um fruto, estou ansioso para saber qual será.
Mas por enquanto, estou procurando palavras, com a certeza de que não acharei, para agradecer a esse Deus, que olhou para a pequenez de seu filho, assuntos bobos que pesavam no meu coração Ele teve o carinho de tratar profundamente e minuciosamente essas feridas, que aos olhos de muitos era um arranhão, mas ele sabe o quanto ardia, como eu estava qual criança que cai e chora, mesmo sem motivo. Obrigado por esse milagre.
Louvado seja o Espírito da Paz!
Para sempre seja louvado!
Arthur Rocha.
Imagens: Igreja Martin Luther e Acervo pessoal.



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