Experiências de confiar em Deus
Olha, difícil perceber essas experiências sem colocar todo o contexto. Na verdade só vivendo mesmo pra saber.
Desde que eu entrei na igreja luterana eu venho passado maus bucados. Só de mudar de denominação eu sofri horrores. A minha antiga comunidade religiosa era um enorme porto seguro, também por que TODA a minha família está lá.
Me aventurar sozinho por essa estrada pareceu solitário, mas com pequenas confirmações no caminho, quase como se Deus estivesse dizendo: "Continua ai cara, ta certo o caminho, eu to aqui no alto e vejo o final, esse período de merda é pouquinho, eu sei que dá não da pra ver, mas acredita."
Sim, eu sou daqueles que vê uma minuscula coisa dando certo e falo: "ta vendo, isso ai é Jesus dizendo que é por aqui". Mas tirando minhas superstições malucas, acho que acertei em acreditar nesses sinais.
Eu já comentei aqui que tenho distúrbios psicológicos, o último diagnóstico oficial foi: ansiedade com traços de depressão. Realmente eu tenho dificuldades com a ansiedade e quando me decepciono, quando fico triste ou quando levo um coice da vida. As vezes é ridiculamente impossível me sentir bem (mesmo com drogas). Mas eu sempre falei com Deus, muitas vezes com raiva, com desespero, esperando o milagre imediato aqui, porque eu não aguentava mais. Mesmo sendo exatamente o contrário do que eu prego e realmente acredito.
Ai vem a sensação que as pessoas bem conhecem de "desamparo", e eu já senti isso. Parece que Deus nos abandonou, ai você levanta da posição fetal porque é isso ou morrer vegetando, e eu sou do tipo que se entedia até de morrer.
Nesse mar de tristeza que eu vivia eram coisas minúsculas que somadas me faziam ser um poço de tristeza.
Vou listar algumas coisas aqui, e todas essas coisas você poderia muito bem dizer: "ah, mas você deveria estar contente, porque tem gente que não tem nem isso." Mas como eu disse o que eu tenho é um DISTÚRBIO MENTAL. Mas fique tranquilo porque vou mostrar também como Deus é terapêutico (não estou falando de abandonar a medicina, calma ai).
- Eu morava abaixo do nível da rua do lado de um córrego que era afluente da parte limpa do rio Tietê, o que resultava em infiltração em toda a minha casa, era úmida demais, as outras casas eram altas e coladas então eu não recebia sol na minha janela.
- Por ser abaixo das outras casas meus vizinhos tinham a mania de jogar coisas no meu quintal (minha família que morava lá, são maravilhosos, mas também folgados).
- Às vezes eles ficavam olhando e provocando meu cachorro fazendo com que ele latisse a todo instante por qualquer coisa, o que me deixava estressadíssimo. Isso porque o cachorro era para ser uma terapia para mim.
- Era longe de tudo, da igreja, do trabalho, da faculdade, o que fosse era longe e difícil.
- Minha casa era um ovo, e eu como uma pessoa gigantesca e gorda só conseguia passar em certos lugares de lado, sem muita margem para manobras dentro da minha própria casa.
- Eu pagava um aluguel caro, água, luz, despesas e a casa era sempre suja, entulhada. Eu tinha muita preguiça de limpar (não que hoje eu seja o cara da faxina), eu limpava e logo tudo era sujo de novo, escuro.
Tudo isso somado me fazia infeliz, e eu nem me dava conta do quanto eu era infeliz, por causa dessas coisas.
Tinha perdido a conta de quantas vezes deitei na minha cama tão cansado emocionalmente por ter de lidar com o trabalho, a faculdade, minha família reclamando de coisas de vizinho, mesmo eles sendo abusivos, o cachorro destruindo minha sandália, eu tinha que correr para fazer comida para a semana inteira, meu namorado trabalhando igual um burro de carga com trabalhos extras para pagar aquela vida cheia de nada... É caro ser triste.
Como eu disse, tudo isso não deveria ser muito, mas somando tudo na minha cabeça me fazia chorar só de pensar.
Mas volta aquela história de Jesus me dizendo: "Eu to vendo lá na frente, isso melhora, fica sussa, eu to com você nessa treta, já já passa."
O fato de eu me tornar luterano me proporcionou ser uma pessoa melhor, aprender mais sobre o próximo, amar sem querer receber algo em troca, não que eu seja a Madre Tereza, mas vejo que eu não sou o mesmo intolerante e chato que eu era.
Eu considerava um enorme "retorno" (não que eu estivesse esperando um) ter uma espiritualidade saudável, que não me massacra e exige que eu faça isso com o próximo. Mas Deus tem aquelas de surpreender a gente.
Um dia, quando eu estava desempregado, triste, colocando água e farinha no feijão (Deus não deixou faltar nada, mas cortamos bem esse negócio de comer dois filés de frango na refeição, come meio que ta bom!) e me bate uma ideia: o apartamento de uma de nossas comunidades ficou vago, é uma casinha em cima da igreja, nada demais.
Liguei para o meu pastor e conversei sobre a possibilidade de nós alugarmos esse espaço para morarmos. Fiz isso bem descrente, diversas coisas diziam que não, meu próprio pastor não quis me dar muitas esperanças, e olha que isso é o trabalho dele.
Eu falei um valor máximo que eu podia pagar, bem abaixo do que qualquer imóvel baratinho na região. Mas arrisquei, vai que o milagre acontece.
Deus preparou esse lugar para nós, pagamos menos do que eu disse ser meu máximo, algumas outras contas foram retiradas dos nossos ombros. Só disso eu sai gritando de alegria. Era uma esperança que fazia muuuuuito tempo que eu não sentia. Era um sinal de uma boa e grande mudança.
Devo confessar que o medo e a enorme proteção da minha mãe foi um caos. Ela fez de tudo para que eu desistisse, que ficasse perto dela, onde ela poderia controlar tudo, e eu na crise de sair de baixo dessa proteção que, mesmo sendo precária várias vezes, era meu porto seguro no dia do "e se...".
Nesses últimos tempo, pouco antes dessa notícia e toda essa pressão eu recebi diversos avisos de Deus, por pastores, por amigos, por liturgias, por quadros e vitrais, por mim mesmo quando eu estava consolando os outros, até meu cachorro foi usado por Deus. Teve um dia que eu falei: "não da pra fugir, Ele ta enfiando isso na minha cara e esfregando, eu tenho que abrir mão desse controle, do confortável!" E fui.
Desisti de estar perto da minha família, do conforto de ter minha mãe por perto. Da casa que aparentemente me dava uma segurança, pois era de amigos de longa data e fui. Deixei Deus fazer o que queria, mesmo que parecesse loucura.
Sofri horrores. Meu primo inventa de casar no dia da mudança e avisa no dia anterior, minha mãe não vem pra ficar comigo no dia, mesmo tendo prometido que estaria lá. Não tinha uma pessoa para nos ajudar a carregar as coisas. Olha, eu contei 20 vezes em que eu pensei em desistir de tudo e ir morar na rua (coisa do depressivo), isso não estava nem na metade da mudança e dai pra frente desisti de contar.
A limpeza da casa nova foi um caos, a falta de dinheiro pra trazer as coisas em um caminhão, a força de um e de outro que me ajudaram imensamente dando um desconto, uma mãozinha, mas fizemos o processo bruto quase que inteiro só eu eu meu namorado.
Quando finalmente chegamos e nos instalamos com calma eu fui percebendo algumas coisas:
- agora eu moro no alto, num região que a igreja e meu apartamento são uns dos prédios mais altinhos, então o sol é minha visita diária.
- Ninguém perturba meu cachorro e hoje eu pude parar e brincar com ele tendo um momento de terapia que a muitos meses eu sequer imaginava.
- Quando ele late agora, para mim é só um sinal de que ele está bem, está vivendo, um sinal de vida, não de estresse.
- Ninguém joga nada na minha casa, no meu quintal.
- Ninguém reclama de coisas de vizinhos, porque eu moro isolado pela igreja e o pátio externo, não estou colado em mais ninguém.
- Eu me dei conta de que eu realizei um sonho esquecido da infância: MORAR NA IGREJA! (Eu sou muito rato de igreja mesmo). Quando eu me sinto mal, eu desço, oro, contemplo a cruz, leio a bíblia, toco o harmonio e pronto, eu estou perfeitamente bem. O ambiente litúrgico tem um efeito milagroso em mim.
- Uma pessoa maravilhosa me arrumou um emprego, hoje eu ganho a metade do que eu já ganhei, com descontos, mas é um trabalho HUMANO, me sinto bem e feliz de uma forma ridícula.
- Meu namorado recebeu um aumento no estágio e uma promessa fortíssima de efetivação.
Só pra resumir, as coisas estão tão maravilhosas que quando eu acordo de manhã com a luz do sol refletindo nas paredes brancas, minha gata mia me pedindo carinho e o vento da manhã areja meu quarto eu penso que estou em um sonho. Parece mágico, por alguns dias eu tive medo de acordar e achar que era mentira.
E mais recentemente eu percebi mudanças incríveis. Meu descontrole cognitivo em momentos de estresse está quase inteiramente dominado, eu consegui facilmente voltar ao eixo em momentos assim.
Eu passei por um gatilho de pânico e ansiedade e não senti quase nada, eu SOUBE LIDAR com aquele sentimento, coisa que estava difícil até com os remédios.
Hoje eu estou escrevendo feliz da vida contemplando o vento balançar as árvores na minha janela. Estou ainda com muitos problemas, as contas se acumulam, tenho que limpar a casa e fazer comida. Mas agora eu confio que vai dar tudo certo.
Finalmente alguém que não falha, que eu posso confiar 100% está no controle da minha vida.
Só pra constar, eu quero deixar claro muitas coisas pelas quais Deus fez seu trabalho terapêutico em mim:
- Remédios
- Psicóloga
- Tratamento clínico
- Namorado
- Cuidar de uma planta
- Tocar instrumentos musicais
- Fazer exercícios
- Ler a bíblia
- Viver em uma comunidade de fé
- Eu ajudar as outras pessoas
- O sol na minha casa
- Espaço físico
- Estrutura
Minha psicóloga costumava dizer que a minha vida tem de mudar para eu sarar. Entender que a minha rotina, o meu jeito de viver faz mal e aprender a lidar com o que não podemos mudar. O meu tratamento não era só conversar e tomar remédio, era viver bem. Deus me ajudou nisso, ou melhor, me deu tudo isso.
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Por último queria agradecer imensamente as pessoas que estiveram comigo:
Meu namorado, pois sem ele eu seria só a metade de tudo o que sou.
Minha família, que mesmo botando pilha e enchendo o saco me estimularam a dar esse passo de fé.
A pessoa que meu arrumou o emprego, não vou falar seu nome, mas não sei como te dizer o quanto você é especial para mim, a sua vida mudou a minha.
A pessoa que trabalha com meu namorado, que nos deu um suporte emocional, arrumou uns freelas para mim e para ele, nos tirou de cada enrascada com essas ajudas que ela nem faz ideia. Você também mudou a minha vida.
Aos pais do meu namorado, por nos ajudarem materialmente na limpeza, reforma e com comida e mantimentos mesmo nos períodos difíceis.
A minha mãe que nos ajudou a manter a peteca até que o dia da libertação chegasse, mesmo sendo supercontroladora e protetora.
A Deus, que me esteve sempre aqui, mesmo quando meus olhos falhos não enxergavam essa verdade.
Desde que eu entrei na igreja luterana eu venho passado maus bucados. Só de mudar de denominação eu sofri horrores. A minha antiga comunidade religiosa era um enorme porto seguro, também por que TODA a minha família está lá.
Me aventurar sozinho por essa estrada pareceu solitário, mas com pequenas confirmações no caminho, quase como se Deus estivesse dizendo: "Continua ai cara, ta certo o caminho, eu to aqui no alto e vejo o final, esse período de merda é pouquinho, eu sei que dá não da pra ver, mas acredita."
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Sim, eu sou daqueles que vê uma minuscula coisa dando certo e falo: "ta vendo, isso ai é Jesus dizendo que é por aqui". Mas tirando minhas superstições malucas, acho que acertei em acreditar nesses sinais.
Eu já comentei aqui que tenho distúrbios psicológicos, o último diagnóstico oficial foi: ansiedade com traços de depressão. Realmente eu tenho dificuldades com a ansiedade e quando me decepciono, quando fico triste ou quando levo um coice da vida. As vezes é ridiculamente impossível me sentir bem (mesmo com drogas). Mas eu sempre falei com Deus, muitas vezes com raiva, com desespero, esperando o milagre imediato aqui, porque eu não aguentava mais. Mesmo sendo exatamente o contrário do que eu prego e realmente acredito.
Ai vem a sensação que as pessoas bem conhecem de "desamparo", e eu já senti isso. Parece que Deus nos abandonou, ai você levanta da posição fetal porque é isso ou morrer vegetando, e eu sou do tipo que se entedia até de morrer.
Nesse mar de tristeza que eu vivia eram coisas minúsculas que somadas me faziam ser um poço de tristeza.
Vou listar algumas coisas aqui, e todas essas coisas você poderia muito bem dizer: "ah, mas você deveria estar contente, porque tem gente que não tem nem isso." Mas como eu disse o que eu tenho é um DISTÚRBIO MENTAL. Mas fique tranquilo porque vou mostrar também como Deus é terapêutico (não estou falando de abandonar a medicina, calma ai).
- Eu morava abaixo do nível da rua do lado de um córrego que era afluente da parte limpa do rio Tietê, o que resultava em infiltração em toda a minha casa, era úmida demais, as outras casas eram altas e coladas então eu não recebia sol na minha janela.
- Por ser abaixo das outras casas meus vizinhos tinham a mania de jogar coisas no meu quintal (minha família que morava lá, são maravilhosos, mas também folgados).
- Às vezes eles ficavam olhando e provocando meu cachorro fazendo com que ele latisse a todo instante por qualquer coisa, o que me deixava estressadíssimo. Isso porque o cachorro era para ser uma terapia para mim.
- Era longe de tudo, da igreja, do trabalho, da faculdade, o que fosse era longe e difícil.
- Minha casa era um ovo, e eu como uma pessoa gigantesca e gorda só conseguia passar em certos lugares de lado, sem muita margem para manobras dentro da minha própria casa.
- Eu pagava um aluguel caro, água, luz, despesas e a casa era sempre suja, entulhada. Eu tinha muita preguiça de limpar (não que hoje eu seja o cara da faxina), eu limpava e logo tudo era sujo de novo, escuro.
Tudo isso somado me fazia infeliz, e eu nem me dava conta do quanto eu era infeliz, por causa dessas coisas.
Tinha perdido a conta de quantas vezes deitei na minha cama tão cansado emocionalmente por ter de lidar com o trabalho, a faculdade, minha família reclamando de coisas de vizinho, mesmo eles sendo abusivos, o cachorro destruindo minha sandália, eu tinha que correr para fazer comida para a semana inteira, meu namorado trabalhando igual um burro de carga com trabalhos extras para pagar aquela vida cheia de nada... É caro ser triste.
Como eu disse, tudo isso não deveria ser muito, mas somando tudo na minha cabeça me fazia chorar só de pensar.
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| Photo by Kat J on Unsplash |
Mas volta aquela história de Jesus me dizendo: "Eu to vendo lá na frente, isso melhora, fica sussa, eu to com você nessa treta, já já passa."
O fato de eu me tornar luterano me proporcionou ser uma pessoa melhor, aprender mais sobre o próximo, amar sem querer receber algo em troca, não que eu seja a Madre Tereza, mas vejo que eu não sou o mesmo intolerante e chato que eu era.
Eu considerava um enorme "retorno" (não que eu estivesse esperando um) ter uma espiritualidade saudável, que não me massacra e exige que eu faça isso com o próximo. Mas Deus tem aquelas de surpreender a gente.
Um dia, quando eu estava desempregado, triste, colocando água e farinha no feijão (Deus não deixou faltar nada, mas cortamos bem esse negócio de comer dois filés de frango na refeição, come meio que ta bom!) e me bate uma ideia: o apartamento de uma de nossas comunidades ficou vago, é uma casinha em cima da igreja, nada demais.
Liguei para o meu pastor e conversei sobre a possibilidade de nós alugarmos esse espaço para morarmos. Fiz isso bem descrente, diversas coisas diziam que não, meu próprio pastor não quis me dar muitas esperanças, e olha que isso é o trabalho dele.
Eu falei um valor máximo que eu podia pagar, bem abaixo do que qualquer imóvel baratinho na região. Mas arrisquei, vai que o milagre acontece.
Deus preparou esse lugar para nós, pagamos menos do que eu disse ser meu máximo, algumas outras contas foram retiradas dos nossos ombros. Só disso eu sai gritando de alegria. Era uma esperança que fazia muuuuuito tempo que eu não sentia. Era um sinal de uma boa e grande mudança.
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Devo confessar que o medo e a enorme proteção da minha mãe foi um caos. Ela fez de tudo para que eu desistisse, que ficasse perto dela, onde ela poderia controlar tudo, e eu na crise de sair de baixo dessa proteção que, mesmo sendo precária várias vezes, era meu porto seguro no dia do "e se...".
Nesses últimos tempo, pouco antes dessa notícia e toda essa pressão eu recebi diversos avisos de Deus, por pastores, por amigos, por liturgias, por quadros e vitrais, por mim mesmo quando eu estava consolando os outros, até meu cachorro foi usado por Deus. Teve um dia que eu falei: "não da pra fugir, Ele ta enfiando isso na minha cara e esfregando, eu tenho que abrir mão desse controle, do confortável!" E fui.
Desisti de estar perto da minha família, do conforto de ter minha mãe por perto. Da casa que aparentemente me dava uma segurança, pois era de amigos de longa data e fui. Deixei Deus fazer o que queria, mesmo que parecesse loucura.
Sofri horrores. Meu primo inventa de casar no dia da mudança e avisa no dia anterior, minha mãe não vem pra ficar comigo no dia, mesmo tendo prometido que estaria lá. Não tinha uma pessoa para nos ajudar a carregar as coisas. Olha, eu contei 20 vezes em que eu pensei em desistir de tudo e ir morar na rua (coisa do depressivo), isso não estava nem na metade da mudança e dai pra frente desisti de contar.
A limpeza da casa nova foi um caos, a falta de dinheiro pra trazer as coisas em um caminhão, a força de um e de outro que me ajudaram imensamente dando um desconto, uma mãozinha, mas fizemos o processo bruto quase que inteiro só eu eu meu namorado.
Quando finalmente chegamos e nos instalamos com calma eu fui percebendo algumas coisas:
- agora eu moro no alto, num região que a igreja e meu apartamento são uns dos prédios mais altinhos, então o sol é minha visita diária.
- Ninguém perturba meu cachorro e hoje eu pude parar e brincar com ele tendo um momento de terapia que a muitos meses eu sequer imaginava.
- Quando ele late agora, para mim é só um sinal de que ele está bem, está vivendo, um sinal de vida, não de estresse.
- Ninguém joga nada na minha casa, no meu quintal.
- Ninguém reclama de coisas de vizinhos, porque eu moro isolado pela igreja e o pátio externo, não estou colado em mais ninguém.
- Eu me dei conta de que eu realizei um sonho esquecido da infância: MORAR NA IGREJA! (Eu sou muito rato de igreja mesmo). Quando eu me sinto mal, eu desço, oro, contemplo a cruz, leio a bíblia, toco o harmonio e pronto, eu estou perfeitamente bem. O ambiente litúrgico tem um efeito milagroso em mim.
- Uma pessoa maravilhosa me arrumou um emprego, hoje eu ganho a metade do que eu já ganhei, com descontos, mas é um trabalho HUMANO, me sinto bem e feliz de uma forma ridícula.
- Meu namorado recebeu um aumento no estágio e uma promessa fortíssima de efetivação.
Só pra resumir, as coisas estão tão maravilhosas que quando eu acordo de manhã com a luz do sol refletindo nas paredes brancas, minha gata mia me pedindo carinho e o vento da manhã areja meu quarto eu penso que estou em um sonho. Parece mágico, por alguns dias eu tive medo de acordar e achar que era mentira.
E mais recentemente eu percebi mudanças incríveis. Meu descontrole cognitivo em momentos de estresse está quase inteiramente dominado, eu consegui facilmente voltar ao eixo em momentos assim.
Eu passei por um gatilho de pânico e ansiedade e não senti quase nada, eu SOUBE LIDAR com aquele sentimento, coisa que estava difícil até com os remédios.
Hoje eu estou escrevendo feliz da vida contemplando o vento balançar as árvores na minha janela. Estou ainda com muitos problemas, as contas se acumulam, tenho que limpar a casa e fazer comida. Mas agora eu confio que vai dar tudo certo.
Finalmente alguém que não falha, que eu posso confiar 100% está no controle da minha vida.
Só pra constar, eu quero deixar claro muitas coisas pelas quais Deus fez seu trabalho terapêutico em mim:
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| Photo by Ai Nhan on Unsplash |
- Remédios
- Psicóloga
- Tratamento clínico
- Namorado
- Cuidar de uma planta
- Tocar instrumentos musicais
- Fazer exercícios
- Ler a bíblia
- Viver em uma comunidade de fé
- Eu ajudar as outras pessoas
- O sol na minha casa
- Espaço físico
- Estrutura
Minha psicóloga costumava dizer que a minha vida tem de mudar para eu sarar. Entender que a minha rotina, o meu jeito de viver faz mal e aprender a lidar com o que não podemos mudar. O meu tratamento não era só conversar e tomar remédio, era viver bem. Deus me ajudou nisso, ou melhor, me deu tudo isso.
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Por último queria agradecer imensamente as pessoas que estiveram comigo:
Meu namorado, pois sem ele eu seria só a metade de tudo o que sou.
Minha família, que mesmo botando pilha e enchendo o saco me estimularam a dar esse passo de fé.
A pessoa que meu arrumou o emprego, não vou falar seu nome, mas não sei como te dizer o quanto você é especial para mim, a sua vida mudou a minha.
A pessoa que trabalha com meu namorado, que nos deu um suporte emocional, arrumou uns freelas para mim e para ele, nos tirou de cada enrascada com essas ajudas que ela nem faz ideia. Você também mudou a minha vida.
Aos pais do meu namorado, por nos ajudarem materialmente na limpeza, reforma e com comida e mantimentos mesmo nos períodos difíceis.
A minha mãe que nos ajudou a manter a peteca até que o dia da libertação chegasse, mesmo sendo supercontroladora e protetora.
A Deus, que me esteve sempre aqui, mesmo quando meus olhos falhos não enxergavam essa verdade.
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| Photo by Ai Nhan on Unsplash Ela (a santa cruz) está sobre tudo, anunciando a salvação |






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