A igreja dos sonhos

Esse post é baseado no exercício de imaginação que foi proposto no post do blog: Sociedade pela Liturgia Reformada, que foi criado por um pastor presbiteriano, podem acessar o post original aqui.

Eu sei que vão me enjoar e reclamar por pensar assim ou assado, mas é só um exercício de imaginação, eu sou grato pela igreja que participo hoje.




Denominação: Igreja Evangélica no Brasil /Igreja Protestante no Brasil.

Seguindo modelo paroquial, onde uma comunidade sede atende outras comunidades formando a paróquia, buscando fortalecer as demais para serem, em breve, sedes paroquiais. E as paróquias subordinadas a região eclesiástica maior, abrangendo determinado número de paróquias, não necessariamente uma região geográfica já determinada.

Talvez um conceito de uma catedral que não necessariamente é uma comunidade, mas o local para grandes eventos reunindo diversas comunidades e paróquias (catedral podendo ser até mesmo um complexo para retiros junto a igreja)


Confissão: de Augsburg (inalterada), catecismo menor de Lutero, credos ecumênicos, Apologia a Confissão de Augsburg. (Vão falar que bláblálá o livro de concórdia, mas não estou negando a fórmula, só estou dizendo que esses já são suficientes, os demais são também são confissões aceitas)


Orientação teológica: luterana, podendo conviver em comunidades unidas que sejam atendidas por outra confissão protestante.


Arquitetura: preferencialmente um espaço litúrgico redondo com características da cultura local, importante ter uma cruz externamente, preferencialmente no alto, se possível um ou mais sinos. Os bancos são dispostos ao redor das paredes e voltados para o centro do círculo, onde se encontram os centros da Palavra: a mesa do altar, a pia batismal e o púlpito, estes enfileirados ou também formando um círculo. A liturgia é celebrada nesses centros.

Também terá um prédio anexo que servirá como administração, salas de aulas e espaço para o trabalho diaconal, podendo também, em parte restrita do prédio, ser a moradia ministerial.


Pastores: um pastor ou pastora, caso seja contratado outro ministro que seja um diácono/diaconisa ou um missionário/missionária, de acordo com a necessidade (na falta de pastor qualquer ministério pode ser a primeira escolha). Todos com formação em faculdade de teologia luterana reconhecida pelo MEC. Tendo a comunidade que oferecer casa para os ministros e subsistência, com assinatura de contrato, para evitar abusos da comunidade ou dos ministros.

Ministros podem se candidatar apenas para um ministério (pastoral, diaconal ou missionário), mas também podem ser rotativos, ora sendo contratados como pastores, ora como diáconos, ora como missionário. Importante que se atenha a tarefa para qual foi contratado.


Membresia: 100 a 200 membros, de variadas faixas etárias e níveis sociais por comunidade da paróquia.


Liturgia: Cristã histórica, com liturgia de entrada (contendo nessa a confissão de pecados e declaração da graça), liturgia da palavra (preferencialmente o lecionário, mas deixando a liberdade para o colégio ministerial usar também outros textos), liturgia eucarística (se possível semanalmente, sempre com gesto da paz) e liturgia de saída (com benção e envio).

A liturgia é celebrada no meio do povo, ocasionalmente girando para olhar para todos os públicos, com os momentos específicos em seus centros litúrgicos (santa ceia, batismo, prédica).


Paramentação: para o ministério pastoral é facultativo o uso do talar preto com peitilho, este podendo variar a cor de acordo com a estação litúrgica e com adornos simples como uma cruz, ou alba branca/creme com estola adornada com cores e símbolos do tempo litúrgico (podendo também usar apenas camisa clerical, se a comunidade não for tão high church), ao ministério diaconal a alba branca/creme com estola transversal nas cores da estação litúrgica, para o ministério missionário camisa clerical, podendo a clesima mudar de cor de acordo com o momento litúrgico. Importante ressaltar que existe a plena liberdade de que a pessoa use roupas comuns (inclusive informais, como bermudas) para a celebração, mas que a cultura da paramentação seja incentivada, como forma de manter a história, simbologia e tradição.

A mesa do altar deve ser adornada com flores, um crucifixo (podendo ter uma cruz vazia maior atrás), velas (1 ou 3) representando a presença de Deus ou a Santíssima Trindade, estante para a Bíblia e toalhas com símbolos e cores do tempo litúrgico.

Na pia batismal, se possível incorporar símbolos, imagens ou gravuras que remetam ao Espírito Santo, quando houver batismo que seja ornamentada com flores pequenas na borda da bacia, que tenha um círio pascal ao lado, ou uma vela grande branca (se a comunidade apreciar pode ter água na pia em todas as celebrações para que as pessoas toquem a água e se lembrem do batismo, mas que o ensino referente a esse ato seja profundo e constante, para evitar fé em coisas que não são Deus)

No púlpito deve ter toalha com a cor e símbolos da estação litúrgica, o púlpito em si pode ter formato de águia, monólito, uma simples estante ou outro modelo sem símbolo específico.


Costumes: Dentro do espaço litúrgico que as pessoas tenham reverência pelos símbolos que colocamos ali, mas que sejam alegres e espontâneas, que saibam respeitar os momentos de celebrações em silêncio, mas que também possam falar e conversar com alegria quando couber na celebração ou nos momentos que antecedem e precedem a mesma. Que as pessoas dancem e batam palmas na celebração e nos louvores, sem espiritualidade aflorada, mas expressão corporal.

Nos prédios anexos manter a reverência pelos símbolos e pelo espaço comum, mas ser ainda mais alegres, descontraídos, questionadores e conversadores.


Música: Estilos variados, preferencialmente ritmos que as pessoas usem em seu dia a dia, que conversem com a realidade delas. Que as letras sejam de teologia profunda e também de temas da vida humana junto a fé, podendo ter composições denominacionais, ecumênicas, músicas populares com ou sem alterações na letra para se encaixar melhor a realidade da comunidade/orientação teológica.

Se possível que contratem músicos profissionais, não necessariamente da igreja ou cristãos, mas que respeitem e saibam lidar com a importância da música em nossa espiritualidade. Que a igreja possa prover aulas de música, diversas atividades musicais como banda, coral, conjuntos e outros, a fim de que as pessoas sejam participativas e criativas.


Instrumentos: os que estiverem a disposição, alocados e harmonizados da melhor forma possível. 


Escola Dominical: Não necessariamente escola ou dominical, mas que tenha atividade de estudo bíblico e um grupo para cada pessoa da paróquia. Que as crianças tenham educação cristã e aprendam o repertório de histórias e personagens bíblicos, que no início da adolescência tenha o ensino confirmatório bem presente e explicitando a fé, ensinando e criando a cultura de que ao final do aprendizado se faz uma escolha, de responder a essa fé e a graça dadas no batismo ou não, e que nenhum dos dois é errado ou passível de qualquer punição direta ou indireta, implícita ou explícita.

Os confirmados devem ter seu grupo de aprofundamento bíblico, experimentando maior independência das autoridades eclesiásticas ou de adultos, mas com a presença e orientação de líderes adultos, jovens adultos com grupos inteiramente livres e independentes de ministros ou líderes mais velhos (podendo ministros jovens participar, mas não serem líderes elegíveis), adultos com grupos de estudo bíblico continuo, terceira idade com grupo profundamente contextual, analisando biblicamente a vida invisibilizada da pessoa idosa e que possa refletir e pensar nas mudanças que as novas gerações trazem. Paralelamente podem ocorrer grupos de oração, clube de leitura bíblica ou de autor cristão, ensino confirmatório para adultos, grupos de atividades em conjunto ou convivência (tricô, artes, atividades manuais, escotismo, assistir novela juntos, o que for, mas sendo prioridade os grupos de aprofundamento bíblico, os de convivência em segundo plano)


Perfil missionário: Ênfase em serviço social, educação e estabelecimento de novas comunidades, que a princípio sejam parte da paróquia, mas que o mais breve possível se tornem paróquias independentes. Nunca oferecer diaconia esperando uma conversão ou uma resposta, sempre procurando acolher a todas as pessoas independentemente de raça, gênero, orientação afetivo-sexual, idade, classe social, educação ou qualquer outra distinção que possa existir. Participação ativa dos leigos, sempre trabalhando e celebrando, incluindo sacramentos e ofícios com ajuda e coordenação ministerial. Que pelo menos uma vez por mês cada parte da liturgia não seja celebrada por ministro, mas por leigos, e que não sejam os mesmos, para que todos e todas sejam de fato igreja e se sintam assim.

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