Um Luterano na Missa Romana


Estou de férias, estou no norte de Minas, divisa com a Bahia, uma pequena cidade chamada Pedra Azul. Como a expansão geográfica luterana ainda está muito presa a imigração alemã aqui não tem uma igreja luterana (seja IECLB, IELB ou IELI). Minha avó é católica, daquelas que já não vivem uma espiritualidade romana, não tem fé em Maria, como um romano comum, e que só está na Igreja Romana por falta de uma igreja protestante que se identifique e seja mais cabível com a realidade dela (Deus sabe porque ainda não temos comunidades luteranas ao alcance de todos). Entre ensinamentos e meditações de como rezar, uma forma mais bíblica de como usar o terço, como tratar as imagens com respeito sem idolatria aos irmãos do passado e outras coisas da fé que se mostraram comuns, mas com entendimentos equivocados até da fé romana, decidimos ir á missa juntos, partilhar a fé no que era possível.
Não pude participar da Santa Ceia (a Igreja Romana ainda não aprovou a mesa comum), mas prestei bastante atenção a tudo que o Padre dizia, baseado na celebração da Epifania. Eu tenho em mente que a Epifania é o melhor dia para um protestante visitar uma paróquia romana.
Igreja Matriz de Pedra Azul - MG
Igreja Romana.
É uma festa puramente cristã e nada pode ser voltado a Maria ou qualquer outro santo, não se pode falar de outra coisa que não a salvação que Deus quis revelar ao mundo inteiro.
O padre estava falando que Deus quis mostrar que, embora ele tenha escolhido uma nação para, através dela, se revelar, Ele queria se revelar ao MUNDO INTEIRO. Deus não era exclusividade dos judeus, e nesse momento da prédica não foi possível fugir do assunto das outras tradições cristãs, e ali foi reconhecido diante dos fiéis que as Igrejas de rito oriental, mesmo as que não estão ligadas a Roma, e as protestantes e evangelicais também possuem a manifestação de Deus, viva e atuante, tanto quanto na Igreja Romana. Hoje em dia é muito mais fácil você ouvir isso de um padre, mesmo em outros momentos do ano litúrgico, até porque o Papa é muito favorável ao movimento ecumênico de conversa, boa convivência e reconhecimento mutuo.
Mas o que me chama mais atenção é que os protestantes e evangelicais muitas vezes não reconhecem a Igreja Romana como uma irmã cristã e isso me estranha profundamente.
Até onde eu sei nós não concordamos com os romanos em diversos temas, mas não é motivo para não os considerarmos irmãos.
"Mas, Arthur, os católicos ofendem a Deus com a idolatria aos santos." Mas lindo, se você é batista tradicional ou presbiteriano da gema vai concordar que o Espirito Santo de Deus também se ofende quando um pentecostal diz que a glossolalia é dom de Deus. Ou você pentecostal concorda que a frieza dos tradicionais é falta de Deus e negação dos dons que Deus dá a Igreja, mas nenhum desses casos é caso de excomunhão da Igreja de Cristo, nem causa para perda da Salvação. Pior ainda, quando o neopentecostal, que é induzido a adorar ao dinheiro, o apóstolo, o líder espiritual, faz parte da comunhão cristã, mas o católico não...
Repense a sua ideia sobre os católicos, pois eles já repensaram sobre nós. Principalmente depois do Concílio Ecumenico Vaticano II, a Igreja Romana veio a reconhecer que a Salvação é somente pela fé em Jesus Cristo, que as obras não efetuam salvação, a fé se revela por elas e assim os caminhos de conversas com protestantes se abriram, chegando ao ponto do Papa ir á Suécia comemorar a Reforma Protestante junto conosco luteranos, ambos pedindo desculpas pelos erros do passado.
O que falta para você se aproximar do seu irmão?

Papa e Arcebispa Ante Jackelen
Primaz da Igreja da Suécia (Luterana)

Autor: Arthur Rocha
Imagens da Internet e arquivo pessoal.

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