Depressão evangélica e a liberdade de Cristo
As pessoas me perguntam porque esse blog tem um texto a cada milhares de meses.
O blog é sobre a minha vida e a experiência religiosa que transpassa tudo isso. Então algumas coisas podem ser chatas, ou simplesmente não quero compartilhar tudo.
Maaaaas algo me trouxe pensamentos do passado e como a religião passou por tudo isso.
Eu fui depressivo, eu sou depressivo... Eu acho, sei lá, não é importante, o importante é que eu me trato. Quando eu tive a primeira "crise", por falta de palavra melhor, eu não era luterano, era evangelical, e eu ouvia que tinha que procurar Deus para sair do meu problema. Claro que diziam (os evangelicais) que eu precisava falar com a minha psicóloga e a psiquiatra, mas eu desconfiava de que era mentira, afinal quando eu dizia que acreditava no agir de Deus capacitando minha terapeuta por toda a sua vida profissional para me ajudar e a outros também eles faziam uma leve cara de desdém.
Eu tive mais de um psicólogo e mais de um psiquiatra, o que me fazia ficar mais triste e deprimido e "buscar Deus" me deixava muito pior, vou explicar o motivo: Eu cresci ouvindo que nós temos que buscar Deus, procurar por Ele, pois nós nos afastamos e as coisas ruins chegam a nós, e então devemos pedir cada vez mais que Ele estivesse presente em nossas vidas como se fosse a faxineira da tristeza e da angústia, varrendo essas coisas para longe de nós quando ligávamos e marcávamos um dia.
Comparação ridícula eu sei.
Mas depois te der passado por tudo isso eu posso dizer algo muito importante: Deus estava lá o tempo todo, e Ele me curou.
Ele não o fez enquanto eu dormia e aparecendo em uma visão tocando no meu cerebelo e de repente eu tinha sido curado. Na verdade Ele fez bem escondido e de um jeito que demorei muuuuito pra perceber. Pois Ele queria me ensinar, e mostrar que a minha cura é aprendizado, é uma vida de confiança, é reconhecer minhas falhas, é dizer as vezes que sou inútil e que dependo de pessoas para me ajudar, pessoas movidas por Ele. É acreditar em batismo diário.
Eu cai varias vezes, quando parecia melhor eu me trancava dentro do quarto e passava o dia inteiro sem comer com a cara enfiada no travesseiro e ainda pode acontecer algo assim, pois a cura de Deus não foi um passe de mágica, mas não deixou de ser milagrosa, foi um ano de terapia (que vou reiniciar por outras questões que a vida trás), três anos de anti-depressivo, exercícios físicos, leitura, lazer, amizade, namoro, animais de estimação, minha amada família e tudo o que amo, ai você pergunta onde está Deus nisso tudo? Ele está em todas essas coisas.
Eu já fui do tipo que "aprisiona Deus", já o prendi na bíblia uma vez (na literalidade das palavras), na igreja (naquelas pessoas, naquele espaço, naquele momento) e no meu coração (aparentemente ele iria trabalhar ali, e só usaria coisas dali, embora só houvesse tristeza e desequilíbrio químico ali).
Mas com terapia, um óculos (remédios ajudaram a ver ângulos diferentes) e mudanças radicais com a vida eu pude ver Deus em outras coisas. Achei uma terapeuta ótima, eu olhei para ela e tive uma revelação: "Deus deu sabedoria para essa mulher, sabedoria que pode me ajudar."
Eu culminei em um momento de liberdade, me encontrando, encontrando Deus na minha vida. Ele estava lá tanto tempo, mas era difícil ver. Você pode dizer que eu que estava com problemas e não via Deus, mas prefiro pensar que ele estava brincando de esconde-esconde comigo, e funcionou, achei Ele. Ele fazia com que tudo desse certo, embora eu visse a mão dele em momentos de horror, quando as coisas iam mal, mas eu percebi que as coisas ruins eram consequências da vida, aconteciam com qualquer um, mas as coisas boas do tipo passar em uma faculdade boa depois de três anos ruins na escola, perder a faculdade e depois reconquistar tudo com várias desvantagens, mas maiores benefícios, nossa... isso é muito mais milagroso do que uma crise de ansiedade, os problemas em casa e tudo o mais, sem falar naquilo que me foi dado de mais precioso: LIBERDADE.

Liberdade é um presente de Deus que vem junto com a salvação, ser salvo é ser livre, eu só não usava esse presente tão bem (depois falarei mais sobre como usar essa liberdade). Parece que é algo simples, mas eu garanto, que essa salvação libertadora é maior, mais poderosa, mais miraculosa, mais incrível e divina que o mar se abrindo, que uma coluna de fogo no meio da noite, que maná caindo do céu.
A liberdade foi o que me fez ver que a minha depressão tinha cura, que Deus tinha essa cura e que ele me curou. Eu pedi incessantemente, busquei muito, mas na verdade Ele que veio, ficou comigo, desde o meu batismo e me ajudou a passar por tudo isso.
E você me pergunta o que toda essa história tem haver com a espiritualidade luterana, bem... foi no final de tudo isso que eu virei luterano.
Esse foi o ápice da minha liberdade, do meu tratamento, da minha cura.
Os evangelicais culparam minha terapeuta (coitada, nem sabe de nada), disseram que eu abandonei a igreja, que eu estava indo para um lugar para me assumir gay, que eu tinha sido deturpado. Bom deturpado eu estava quando me aprisionava em coisas fúteis, como o que as pessoas acham de mim, como vou parecer para as pessoas, como vou manter a moral e os bons costumes. Jesus me libertou disso.
Fui para a igreja luterana porque achei Deus lá, sequer sabia que eu iria namorar um homem, eu nem queria casar na vida. Deixei todas as minhas responsabilidades com pessoas capazes e dignas e fui com a mente limpa, aberta, cheia da luz de Deus. Liberto.
O blog é sobre a minha vida e a experiência religiosa que transpassa tudo isso. Então algumas coisas podem ser chatas, ou simplesmente não quero compartilhar tudo.
Maaaaas algo me trouxe pensamentos do passado e como a religião passou por tudo isso.
Eu fui depressivo, eu sou depressivo... Eu acho, sei lá, não é importante, o importante é que eu me trato. Quando eu tive a primeira "crise", por falta de palavra melhor, eu não era luterano, era evangelical, e eu ouvia que tinha que procurar Deus para sair do meu problema. Claro que diziam (os evangelicais) que eu precisava falar com a minha psicóloga e a psiquiatra, mas eu desconfiava de que era mentira, afinal quando eu dizia que acreditava no agir de Deus capacitando minha terapeuta por toda a sua vida profissional para me ajudar e a outros também eles faziam uma leve cara de desdém.
Eu tive mais de um psicólogo e mais de um psiquiatra, o que me fazia ficar mais triste e deprimido e "buscar Deus" me deixava muito pior, vou explicar o motivo: Eu cresci ouvindo que nós temos que buscar Deus, procurar por Ele, pois nós nos afastamos e as coisas ruins chegam a nós, e então devemos pedir cada vez mais que Ele estivesse presente em nossas vidas como se fosse a faxineira da tristeza e da angústia, varrendo essas coisas para longe de nós quando ligávamos e marcávamos um dia.
Comparação ridícula eu sei.
Mas depois te der passado por tudo isso eu posso dizer algo muito importante: Deus estava lá o tempo todo, e Ele me curou.
Ele não o fez enquanto eu dormia e aparecendo em uma visão tocando no meu cerebelo e de repente eu tinha sido curado. Na verdade Ele fez bem escondido e de um jeito que demorei muuuuito pra perceber. Pois Ele queria me ensinar, e mostrar que a minha cura é aprendizado, é uma vida de confiança, é reconhecer minhas falhas, é dizer as vezes que sou inútil e que dependo de pessoas para me ajudar, pessoas movidas por Ele. É acreditar em batismo diário.
Eu cai varias vezes, quando parecia melhor eu me trancava dentro do quarto e passava o dia inteiro sem comer com a cara enfiada no travesseiro e ainda pode acontecer algo assim, pois a cura de Deus não foi um passe de mágica, mas não deixou de ser milagrosa, foi um ano de terapia (que vou reiniciar por outras questões que a vida trás), três anos de anti-depressivo, exercícios físicos, leitura, lazer, amizade, namoro, animais de estimação, minha amada família e tudo o que amo, ai você pergunta onde está Deus nisso tudo? Ele está em todas essas coisas.
Eu já fui do tipo que "aprisiona Deus", já o prendi na bíblia uma vez (na literalidade das palavras), na igreja (naquelas pessoas, naquele espaço, naquele momento) e no meu coração (aparentemente ele iria trabalhar ali, e só usaria coisas dali, embora só houvesse tristeza e desequilíbrio químico ali).Mas com terapia, um óculos (remédios ajudaram a ver ângulos diferentes) e mudanças radicais com a vida eu pude ver Deus em outras coisas. Achei uma terapeuta ótima, eu olhei para ela e tive uma revelação: "Deus deu sabedoria para essa mulher, sabedoria que pode me ajudar."
Eu culminei em um momento de liberdade, me encontrando, encontrando Deus na minha vida. Ele estava lá tanto tempo, mas era difícil ver. Você pode dizer que eu que estava com problemas e não via Deus, mas prefiro pensar que ele estava brincando de esconde-esconde comigo, e funcionou, achei Ele. Ele fazia com que tudo desse certo, embora eu visse a mão dele em momentos de horror, quando as coisas iam mal, mas eu percebi que as coisas ruins eram consequências da vida, aconteciam com qualquer um, mas as coisas boas do tipo passar em uma faculdade boa depois de três anos ruins na escola, perder a faculdade e depois reconquistar tudo com várias desvantagens, mas maiores benefícios, nossa... isso é muito mais milagroso do que uma crise de ansiedade, os problemas em casa e tudo o mais, sem falar naquilo que me foi dado de mais precioso: LIBERDADE.

Liberdade é um presente de Deus que vem junto com a salvação, ser salvo é ser livre, eu só não usava esse presente tão bem (depois falarei mais sobre como usar essa liberdade). Parece que é algo simples, mas eu garanto, que essa salvação libertadora é maior, mais poderosa, mais miraculosa, mais incrível e divina que o mar se abrindo, que uma coluna de fogo no meio da noite, que maná caindo do céu.
A liberdade foi o que me fez ver que a minha depressão tinha cura, que Deus tinha essa cura e que ele me curou. Eu pedi incessantemente, busquei muito, mas na verdade Ele que veio, ficou comigo, desde o meu batismo e me ajudou a passar por tudo isso.
E você me pergunta o que toda essa história tem haver com a espiritualidade luterana, bem... foi no final de tudo isso que eu virei luterano.
Esse foi o ápice da minha liberdade, do meu tratamento, da minha cura.
Os evangelicais culparam minha terapeuta (coitada, nem sabe de nada), disseram que eu abandonei a igreja, que eu estava indo para um lugar para me assumir gay, que eu tinha sido deturpado. Bom deturpado eu estava quando me aprisionava em coisas fúteis, como o que as pessoas acham de mim, como vou parecer para as pessoas, como vou manter a moral e os bons costumes. Jesus me libertou disso.
Fui para a igreja luterana porque achei Deus lá, sequer sabia que eu iria namorar um homem, eu nem queria casar na vida. Deixei todas as minhas responsabilidades com pessoas capazes e dignas e fui com a mente limpa, aberta, cheia da luz de Deus. Liberto.


Comentários
Postar um comentário